Um grupo de quase 30 clientes do Grupo Boavida acusa a empresa de incumprimento contratual, por alegadamente se recusar a entregar as chaves das residências, apesar de terem liquidado integralmente os valores acordados, situação que os lesados admitem levar aos tribunais.
As reclamações, segundo os clientes que denunciaram, arrastam-se desde o início deste ano e têm provocado desgaste emocional e prejuízos às famílias, que dizem continuar sem acesso aos imóveis pelos quais pagaram.
Os lesados apontam responsabilidades ao presidente do Conselho de Administração do Grupo Boavida, Tomasz Dowbor, e ao irmão, Wojciech Jakub Dowbor, identificados como signatários dos contratos de aquisição das habitações.
Segundo os reclamantes, os dois responsáveis têm demonstrado pouca disponibilidade para resolver o diferendo, alegando que, perante as tentativas de contacto, terão respondido que os clientes poderiam apresentar queixas onde entendessem.
Perante a ausência de uma solução, o grupo ameaça realizar uma manifestação em frente às instalações da instituição, com o objectivo de denunciar publicamente a situação e exigir a salvaguarda dos seus direitos.
Os clientes apelam igualmente à intervenção das autoridades competentes para averiguar as reclamações e encontrar uma solução para o impasse.
Uma das preocupações manifestadas pelos compradores prende-se com a possibilidade de as residências terem sido entregues, em Julho deste ano, a efectivos do Ministério do Interior, através da Caixa de Protecção Social, conforme informação que, conforme os reclamantes, foi divulgada pelo próprio Grupo Boavida nas redes sociais.
A situação reacende a preocupação em torno dos conflitos entre compradores e promotores imobiliários em Angola, num sector onde outros empreendimentos foram alvo de reclamações semelhantes.
Em 2020, o caso da Jefran Engenharia e Construção Civil envolveu centenas de clientes que reclamavam a entrega de residências ou a restituição dos valores pagos.
Na altura, o entãoTribunal Provincial de Luanda, actualmente Tribunal da Comarca de Luanda. determinou o arresto de um imóvel da construtora, no âmbito de uma providência cautelar requerida pelo Ministério Público, em representação dos consumidores.
O caso envolvia suspeitas de burla, abuso de confiança e branqueamento de capitais, segundo notícias publicadas à época, se arrasta até a data presente.
Também o empreendimento Jardins do Éden, no Camama, em Luanda, foi alvo de queixas de compradores que afirmavam ter pago pelas habitações sem receber as respectivas chaves.
Em 2019, a Procuradoria-Geral da República anunciou a detenção do responsável pelo projecto, por suspeitas de burla por defraudação e abuso de confiança.

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