ESCRAVATURA_MODERNA_NO_SEQUELE: COMISSÃO DE MORADORES DO BLOCO 7 ACUSADOS DE AGREDIR E MALTRATAR JARDINEIROS



Jardineiros dizem receber entre 15 mil e 20 mil kwanzas, podendo chegar aos 30 mil com a limpeza das escadas e o passeio, sem transporte nem alimentação, e relatam episódios de agressão e maus-tratos.


Alguns jardineiros que trabalham no Bloco 7, no município do Sequele, província do Icolo e Bengo acusam membros da coordenação de moradores de agressão física, maus-tratos e de impor condições de trabalho que consideram abusivas.

Entre os acusados estão o coordenador do Bloco 7, identificado como Massangano, e o coordenador do prédio 24, identificado como Nelson. Segundo os relatos recolhidos pela nossa reportagem, os alegados episódios de agressão e maus-tratos têm ocorrido de forma recorrente.


Uma das supostas vítimas, Anderson, conhecido por “DJ”, contou que teria sido agredido pelo coordenador Massangano depois de este encontrar um tapete estendido no jardim. Anderson afirma que o tapete não tinha sido colocado por ele. Segundo o seu relato, após a alegada agressão, ficou alguns dias sem trabalhar devido à inflamação no rosto.


Outro trabalhador, identificado como Dino, afirmou ter sido agredido com golpes de catana nas costas pelo senhor Nelson, que, segundo o seu relato, também lhe ordenou que limpasse duas cabines de energia.

Os trabalhadores Do Bem e Depaiza também afirmam ter sido vítimas de agressões. Já Sansão acusa o senhor Nelson de tratar os trabalhadores de forma desrespeitosa, alegando que utiliza expressões depreciativas para se dirigir a eles, incluindo “capim”, “cabrito”, “cão” e “macaco”.


André, outro trabalhador ouvido pela reportagem, relatou que teria sido ameaçado de agressão por não limpar uma estrada de acordo com as exigências do senhor Nelson. Disse ainda que foi impedido de continuar a trabalhar no Bloco 7 e que teria sido ameaçado de agressão caso fosse contratado noutro prédio e fosse visto pelo mesmo responsável.


CONDIÇÕES DE TRABALHO 


De acordo com os trabalhadores, os jardineiros recebem normalmente entre 15 mil e 20 mil kwanzas, podendo o valor chegar aos 30 mil com a limpeza das escadas e dos passeios.


Os trabalhadores afirmam ainda que não recebem subsídio de transporte nem alimentação. Segundo alguns relatos, quando determinados moradores oferecem comida, por vezes esta já se encontra estragada, situação que consideram humilhante e prejudicial à sua saúde.


COORDENAÇÃO ADMITE EXCESSOS 


Contactado pela nossa reportagem, Sr Nelson admitiu que, em determinados momentos, podem ter ocorrido excessos, mas justificou que estes estariam relacionados com o alegado incumprimento das normas estabelecidas pela coordenação.


Segundo Sr  Nelson, a coordenação estabeleceu uma regra segundo a qual todos os jardineiros deveriam participar na limpeza das estradas e noutras actividades de limpeza dentro do bloco, como forma de contribuir para a manutenção e organização do bloco.


As acusações de agressão física e maus-tratos, no entanto, são graves e carecem de investigação e esclarecimento pelas entidades competentes, incluindo a audição de todas as partes envolvidas.


A reportagem procurou apresentar os relatos dos trabalhadores e a posição de um dos responsáveis mencionados. As acusações aqui descritas constituem alegações e não uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos

Pedro Paka


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