Com base num conjunto de factos relatados por fornecedores do sector agrícola, o debate sobre a gestão do FADA voltou à ribalta, levantando novas críticas após a nomeação de Felisbela Francisco para um cargo ligado à administração pública. Segundo a acusação dos intervenientes, o período de governação no FADA estaria marcado por práticas de favorecimento, manipulação de contratos e barreiras à entrada de empresas do sector de comercialização de máquinas e equipamentos agrícolas.
O texto que circula entre agentes económicos descreve que, durante 3 anos, sob a liderança de Felisbela Francisco, a gestão do FADA teria favorecido interesses específicos, em detrimento da concorrência aberta e da transparência nas compras e pagamentos. Para os denunciantes, a situação agrava-se num momento em que o país precisa de mecanizar a agricultura, sob pena de não se conseguir reverter os custos de produção e a baixa produtividade no sector.
Investimento no sector e dificuldades para operar com equidade
De acordo com a narrativa apresentada, a origem do litígio estaria numa decisão empresarial tomada com base em instrumentos de planeamento, referindo-se ao PDMPSA 2018–2022. A empresa afirma ter decidido investir no sector de comercialização de tratores, equipamentos e utensílios agrícolas, acreditando que o caminho institucional permitiria contratações regidas por critérios claros.
Contudo, os fornecedores sustentam que seria difícil competir em igualdade de condições, apontando para a existência de barreiras associadas ao nepotismo e à corrupção, particularmente na compra de equipamento por parte do FADA.
Showroom em Huambo e “alinhamento” com fornecedores No mês de abril (Huambo), a empresa participou num showroom na província, apresentando os seus equipamentos ao público e aos intervenientes do sector. No mesmo período, os fornecedores afirmam ter sido convidados para uma festa oferecida por Audemiro Figueiredo, na qual estariam presentes várias entidades comerciais, incluindo empresas que, mais tarde, teriam passado a vender equipamentos, enquanto outras alegam ter ficado “de fora”.
Segundo o relato, o objetivo do encontro seria alinhar percentagens por equipamento vendido ao FADA e confirmar que “estaria tudo garantido” conforme a hierarquia interna do processo.
A mesma versão refere ainda que foram levantadas preocupações sobre demoras nos pagamentos, e que teria sido respondido, de forma explícita, que o funcionamento do “financeiro” e as decisões estariam ligadas a relações familiares e redes de influência dentro do sistema.
Os denunciantes descrevem que, nessa ocasião, teriam sido dadas “garantias” de que o relacionamento com a chefia seria suficiente para assegurar o processo comercial, incluindo a menção a uma pessoa com vínculos familiares ligados à chefia e também a outros responsáveis.
“O negócio era limpo” — mas a empresa diz ter ficado sem quota
No relato, a festa teria servido para reforçar acordos já traçados e para transmitir confiança aos fornecedores. Ainda assim, a empresa afirma que, após o encontro, continuou sem entrar em condições equivalentes de venda, apesar de ter participado no evento e de ter movimentado equipamentos para Huambo.
A acusação central é que a direção do FADA não teria operado com seriedade, e que a lógica de vendas e distribuição de equipamentos teria sido tratada como quota-controlada, beneficiando alguns fornecedores em detrimento de outros.
Solicitação ao Ministro da Agricultura
Os denunciantes afirmam que, depois de participarem no evento e de se mobilizarem para o escoamento no terreno, passaram a observar que outras empresas comercializavam os seus equipamentos e a sua empresa ficava fora do processo.
Por isso, dirigem-se publicamente ao Ministro da Agricultura, defendendo que o FADA deveria:
1. Definir quotas de venda de forma transparente para todos os fornecedores; ou
2. Permitir escolha livre dos equipamentos pelos beneficiários, sem imposições de interesses.
A mesma denúncia sustenta que, caso existam influências no executivo para “brincar com fornecedores”, isso seria inaceitável, independentemente de quem as represente — inclusive em articulação com figuras institucionais apontadas pelos intervenientes.
Fundo público e promessa de “efeito desejado”
Os denunciantes afirmam que a festa teria sido gasta com fundo público, e esperam que isso não resultasse em favorecimento de apenas alguns negócios, mas sim em impacto real para a mecanização da agricultura e para o país como um todo.
Segundo a versão apresentada, a empresa também teria se comprometido a pagar percentagens por cada trator vendido ao FADA (mencionando valores entre 10% e 15%), argumentando que não havia razão para ser excluída.
Nomeação de Felisbela Francisco e reação pública
Por fim, o texto afirma com tom de denúncia que o Presidente da República de Angola teria nomeado nesta manhã Felisbela Francisco para o cargo de Inspetora Geral da Administração do Estado, sugerindo que a nomeação seria uma consequência do que os autores consideram ter sido a “desgraça” do FADA no período anterior.

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