A vida luxuosa de Erique Chabango e Janete Bento: onde nasceu o dinheiro?

 

Uma investigação conjunta do grupo Maka Mavulo Mídia e do Secreto News, realizada entre Luanda, Dubai e províncias de Moçambique, aponta para uma teia de relações e negócios que explicaria a origem da vida luxuosa do cidadão moçambicano Erique Chabango e de Janete Bento, filha do influente dirigente do MPLA, Bento Bento. Documentos, registos comerciais e testemunhos recolhidos pela equipa sugerem que os padrões de consumo do casal não condizem com os rendimentos declarados e indicam práticas de branqueamento de capitais ligadas a figuras do poder em Luanda.

Erique Chabango,  de nacionalidade moçambicana, ocupa lugar no comitê provincial do MPLA em Luanda. Janete Bento é filha do antigo governador e alto dirigente do partido, Bento Bento, figura politicamente proeminente em Angola. O casal tem vivido num padrão de luxo — residências em áreas nobres, veículos de alta cilindrada e viagens frequentes ao Dubai — que, segundo a investigação, excede largamente as fontes de rendimento oficiais atribuídas a ambos.







A equipa teve acesso a registos de empresas registadas em Moçambique e em jurisdições no estrangeiro em nome de sociedades ligadas direta ou indiretamente ao casal. Fontes bancárias e documentos comerciais — hoje em análise — mostram transferências de valores elevados entre contas ligadas a empresários próximos do regime de Luanda, incluindo nomes com historial de contratos públicos e controvérsias financeiras.

Fontes no terreno e interlocutores em Luanda indicam que magnatas e intermediários do círculo político angolano recorrem a operadores em países terceiros para movimentar capitais. Entre os nomes mencionados nas investigações aparece Bento Kangamba, empresário e figura controversa do círculo político, apontado como potencial originador de fundos que teriam sido desviados para o Dubai e, daí, repartidos por estruturas empresariais em Moçambique com ligação ao casal.

Fontes próximas ao processo afirmam que Janete Bento gerenciou, ao longo de anos, recursos acumulados durante o exercício de funções do seu pai enquanto governador e primeiro secretário do MPLA em Luanda. Documentos e testemunhos preliminares aludem a transferências e operações comerciais que teriam como objetivo dissimular a origem desses fundos, tarefa atribuída a redes de empresas de fachada e corretores internacionais.

A investigação seguiu vestígios financeiros até centros financeiros no Dubai, onde existirão contas e sociedades interpostas que facilitariam o branqueamento. Em Moçambique, registos de propriedades e empresas sugerem que capitais com origem em Angola foram reinvestidos em bens imobiliários e actividades comerciais, criando um circuito que embota a rastreabilidade dos fundos.

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