Anselmo Mateus, filho da Secretária de Estado da Cultura, Maria da Piedade de Jesus, tem gerado discussão ao administrar um restaurante localizado no Palácio de Ferro, um espaço sob a tutela do Ministério da Cultura. A forma como Anselmo obteve essa concessão, sem uma concorrência pública, tem levantado questionamentos sobre a ética de sua conduta.
Anselmo usa frequentemente a posição da mãe para benefício próprio, desrespeitando governantes e normas. Seu poderio parece se estender através de uma rede de apoio político que o possibilita operar sem temor de represálias. Um exemplo notável aconteceu em 2016, quando ele construiu um restaurante na Praia Morena, em Benguela, desafiando ordens administrativas que proibiam tal construção.
O dito empresário Anselmo não é recente; ele é associado a práticas corruptas desde a administração de Isaac dos Anjos, quando era governador da província. O caso que mais chamou atenção envolve a venda de um terreno na Caponte, onde funcionava o maior mercado informal de Benguela. A área foi transacionada por um milhão de dólares, com Anselmo atuando como intermediário do negócio, o que gerou alvoroço nos corredores do MPLA, especialmente à medida que o partido se preparava para uma conferência provincial.
De acordo com fontes do governo, o negócio foi facilitado com o apoio do governador, levantando preocupações sobre a transparência e o uso do dinheiro. Críticos ressaltam que, em meio a um cenário de relocação forçada de feirantes, a transação evidencia o descaso com os interesses da população.
Anselmo, que já havia sido demitido do Banco BIC por suspeitas de desvios, continua a consolidar seu império financeiro, desafiando a lógica econômica em tempos de crise. Ele ostenta poder suficiente para intimidar diretores provinciais e manipular decisões administrativas, o que já gerou descontentamento entre empreendedores e jovens do MPLA, que se sentem excluídos das oportunidades que lhe são comunicadas.
Membros do Fórum de Jovens Empreendedores em Benguela, do qual Anselmo foi o coordenador, expressaram sua insatisfação, afirmando que ele acumula vantagens enquanto eles permanecem à margem do desenvolvimento econômico promovido pelo Estado.

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