BANCO YETU DE ELIAS CHIMUCO: UM ANTRO DE LADRÕES QUE LESA O ESTADO CUJA CULPA NÃO PODE MORRER SOLTEIRA

 


O Banco Yetu, nos últimos dias, voltou a ser manchete em vários órgãos de comunicação social, nacionais e externos, assim como nas redes sociais, pela negativa. Desta feita, depois de diversas acusações de desvio de fundos públicos e branqueamento de capitais, de que se destaca a questão do desvio de fundos do Tribunal de Contas, que envolveu a então presidente da instituição, Exalgina Gambôa, o Banco Yetu é acusado de desfalcar a Sonangol em cerca de meio bilião de kwanzas.

Há vários anos que o Banco Yetu vai somando denúncias de irregularidades e violação dos princípios da banca comercial. Apesar de já ter sido demonstrado que em vez de ser uma instituição bancária credível é na verdade um antro de ladrões, que apenas existe para delapidar a economia nacional e branquear os capitais roubados, a instituição continua impune.


O caso de Exalgina Gambôa, que teve de demitir-se do cargo de presidente do Tribunal de Contas, tendo sido alvo de um processo-crime que decorreu os seus trâmites na Procuradoria-Geral da República (PGR) por crimes de peculato, extorsão e corrupção, sendo que, igualmente, foi constituído arguido o seu filho, Hailé Vicente da Cruz, pelos crimes de extorsão e corrupção, mas cujo desfecho a opinião pública desconhece, foi somente mais um entre muitos.


Os valores desviados para Portugal acabaram por ser bloqueados pelas autoridades portuguesas que suspeitaram de crime e comunicaram prontamente o facto às autoridades angolanas.


Na altura, a então presidente do Tribunal de Contas, Exalgina Gambôa, desdobrou-se em tentativas para desbloquear as mesmas contas bancárias em Portugal, mas não conseguiu o que pretendia.


Recorde-se que as referidas operações bancárias, fraudulentas, foram efectuadas no Banco Yetu, entre Abril e Maio de 2021, correspondendo a 2,5 milhões de euros e mais 500 mil dólares.


Enquanto decorria no seu interior esse “esquema de ladroagem” e outros, no período 2021 a 2023, o proprietário do banco e presidente da Mesa da Assembleia, o empresário Elias Chimuco, alardeava que o Banco Yetu pretendia “posicionar-se entre as principais referências do sector bancário angolano e acelerar a inclusão financeira e a melhoria dos investimentos na economia”, tendo para tal remodelado os órgãos sociais, com a entrada na gestão de Abrahão Pio dos Santos Gourgel e Mário Gavião Gourgel, como presidentes de Conselho de Administração e da Comissão Executiva.


Elias Chimuco realçou, então, que queria um banco à disposição do País, da economia e que ajudasse o Governo a cumprir os desafios de geração de riqueza para proporcionar bem-estar às pessoas.


Entretanto, o que se tem visto é totalmente o inverso. O Banco Yetu há muito que deveria ter fechado as portas por incumprimento dos requisitos estipulados na Lei de Bases das Instituições Financeiras e do Aviso n.º 02/2018 do Banco Nacional de Angola (BNA).


Contudo, em meios fidedignos da sociedade angolana considera-se que, se tal ainda não aconteceu e nenhum dos seus dirigentes está a contas com a justiça, “deve-se ao facto de ser protegido ao mais alto nível, considerando que o seu Conselho de Administração e a Comissão Executiva são compostos por indivíduos ligados e/ou ‘encomendados’ pelo regime que, no âmbito do combate contra a corrupção, há muito deveriam ter sido julgados e presos, pois todos eles, desde o regime anterior, em que ocuparam diversos cargos no Executivo, têm participação activa na delapidação do erário que atirou o país para o abismo da desgraça”.


“A própria PGR que devia investigar minuciosamente as actividades do Banco Yetu, assim como de cada um dos membros do seu Conselho de Administração e da Comissão Executiva, para prestarem contas à Justiça por todo mal que têm causado ao país, tem como que ignorado tais crimes, agindo como se os mesmos nunca tivessem acontecido”, referem.



Por outro lado, o BNA, na qualidade de organismo de supervisão e garante da estabilidade do sistema financeiro nacional, há muito que deveria ter suspenso as actividades do Banco Yetu, não só pelas acusações e ilegalidades que têm sido praticadas no mesmo, assim como, porque desde a sua constituição nunca concedeu créditos nenhuns à economia, tem deficiências nas áreas de análise do risco de crédito, sobretudo num contexto em que a economia angolana precisa de tais apoios.


O que não se pode compreender é que o governo do Banco Nacional de Angola (BNA), na qualidade de organismo de supervisão e garante da estabilidade do sistema financeiro, em meio a tantas evidências criminosas e lesivas ao Estado angolano, nunca tenha efectuado uma auditoria ao referido Banco. Há alguns anos falou-se na sua suspensão em decorrência de um suposto processo de investigação, pelo BNA, por alegados “conflito de interesses” na concessão de crédito aos accionistas e a membros da administração, em que foram detectados factos descritos como “crimes de abuso de confiança”, que terão sido remetidos à Procuradoria-Geral da República (PGR) mas foram ”engavetados”.


A recente revelação e denúncia de mais um estrondoso roubo bilionário de cerca de meio bilião de kwanzas da conta da Sonangol, praticado por cinco gestores do Banco Yetu, alegadamente sob investigação do Serviço de Investigação Criminal (SIC), revela práticas fraudulentas nos Centros de Empresa do banco em questão, nas agências da sede e de Talatona, através de um esquema montado para transferir fundos indevidamente.


A sociedade, atenta ao desenvolvimento dos acontecimentos, espera que os implicados que estão a ser ouvidos pelo SIC Geral e se encontram em regime de Termo de Identidade e Residência (TIR), sejam devidamente responsabilizados e punidos pelos crimes cometidos e sejam capturados os fugitivos Janete Mingas e Gaspar Mendes de Carvalho, para o mesmo fim.


Este é mais um caso em que “a culpa não pode morrer solteira”, como tem sido habitual entre nós. Não pode ser “abafado” como o de Exalgina Gambôa, cujo processo não se sabe que rumo tomou e deixou os angolanos “a ver fumo”.


O povo angolano, já de si sofredor por séculos, numa altura em que devia sorrir e trabalhar com vontade e felicidade pelo desenvolvimento do seu país e pelo seu próprio bem-estar, continua a sofrer, talvez de forma mais atroz do que em tempos passados. Sofrimento esse imposto por angolanos insensíveis, apátridas e carcamanos.


Mais desenvolvimento sobre este assunto, que não se esgota aqui, em próximas edições! (J24 Horas)

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